A MOTIVAÇÃO E A ORIGEM DAS LEIS CONTRA A FAMÍLIA CRISTÃ

A família é uma benção de Deus


Queridos irmãos, A Paz do Senhor!

Estamos na NONA lição da revista CIDADANIA CRISTÃ - terceiro trimestre de 2009.

Nosso comentarista é o Pastor Dr. Abner de Cássio Ferreira. O tema da semana é:

A MOTIVAÇÃO E A ORIGEM DAS LEIS CONTRA A FAMÍLIA CRISTÃ

Prof.: Pr. Leonardo A. Garcez

Sejam todos muito bem vindos!


TEXTO ÁUREO

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”. Fp 2.15

VERDADE APLICADA

Somente vivendo em santidade seremos capazes de influir na sociedade e produzir comportamentos e práticas capazes de neutralizar leis contrárias a Igreja do Senhor.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

1) Prevenir a igreja sobre os fatores espirituais que motivam o surgimento das leis;

2) Alertar o povo de Deus para as armadilhas ocultas nas leis formuladas pelos inimigos de Deus;

3)Estimular os crentes a combater as trevas legais pela vivência e exposição da lei de Deus escrita em seus corações.

GLOSSÁRIO

Arregimentação: Período em que um oficial serve em regimento, com o fim de perfazer tempo de comando para promoção;

Dirimir: Anular, dissolver, extinguir, suprimir, resolver, decidir;

Iluminismo: A mística dos iluminados, filosofia das luzes.

Panteismo: s.m. Crença de que Deus e todo o universo são uma única e mesma coisa e que Deus não existe como um espírito separado.

Pansexualismo:S.m. Doutrina que considera toda atividade psíquica provinda do instinto sexual, que se manifesta apenas quando a criança nasce.

Androginia: S.f. Qualidade ou caráter de Andrógino

Andrógino: P.ext. De aparência ou modos indefinidos, entre masculino e feminino, ou que tem traços marcantes do sexo oposto no seu.


INTRODUÇÃO

As leis não são preventivas, mas, reparativas. Elas nascem em função dos resultados de uma prática ou da repetição de determinado comportamento social. Por isto Satanás provoca os homens a adotarem modos de vida cujas conseqüências possam gerar leis contrárias ao reino de Deus. É o que estudaremos nesta lição.

1. COMO NASCEM AS LEIS

Devemos estar atentos às práticas individuais e aos comportamentos sociais que fogem da normalidade e/ou da naturalidade. As conseqüências deles podem gerar estatutos jurídicos e, estes trazerem em seu corpo brechas e expressões que poderão ser usadas como instrumentos contra a Lei de Deus e as instituições divinas.

Tais práticas e comportamentos serão desestimulados se, de nenhuma maneira, a Igreja compactuar com eles, seja por ação, ou omissão, ou consentimento. A Igreja é o sal da Terra e luz do mundo. Pode a carne devidamente salgada corromper-se, ou pode a escuridão penetrar ou permanecer em um ambiente no qual se acendeu uma luz?

Leis contra a família.

O divórcio, que outrora era concedido por razões bem restritas como o adultério, por exemplo, que permitia ao divorciado casar mais uma vez, banalizou-se. Atualmente, em muitos países não há mais restrições e nem limites legais.

No Brasil, basta apenas que um dos cônjuges não queira mais manter a união e, se o casal que quiser se divorciar não possuir dependentes, sequer precisa comparecer diante de um Juiz da Vara da Família, pois em 04 de janeiro de 2007, foi promulgada a Lei 11.441 que autoriza que separações consensuais de casais sem filhos menores ou incapazes seja homologada mediante escritura pública lavrada perante um tabelião competente.

Desta forma, desfaz-se o vínculo estabelecido por Deus e que só poderia ser rompido pela morte de um dos cônjuges (Rm 7.2). A violência do homem contra a mulher no ambiente doméstico deu origem a Lei Maria da Penha, que dá às mulheres proteção legal contra maridos, pais ou irmãos violentos.

Mas, por causa da sua complexidade, é também utilizada como instrumento do movimento feminista para feminizar os homens e masculinizar as mulheres. Nenhuma ação contra a instituição familiar é mais poderosa e eficaz do que aquela que confunde os papéis dos seus membros e deixa a família sem um referencial de autoridade e liderança.

Sexo livre e infidelidade conjugal

A chamada revolução sexual dos anos 60 aumentou assustadoramente o número de filhos nascidos fora do casamento ou de relações extraconjugais.

Isto criou graves problemas sociais que fizeram nascer o estatuto jurídico que equipara o direito dos filhos havidos fora do casamento com os dos nascidos dentro dele.

Este estatuto é benéfico, pois protege os filhos nascidos de qualquer modalidade de relação, mas de certa forma, desprotege e banaliza a instituição familiar, que fica mais vulnerável a ataques de pessoas oportunistas.

Atualmente, para frear as ‘conseqüências vivas’ da tão desejada revolução sexual, foi elaborado um projeto de lei que visa reconhecer o aborto como direito da mulher. Ele não foi aprovado, mas não foi esquecido.

Algumas medidas estratégicas estão sendo adotadas para que o aborto deixe de ser crime e passe a ser direito da mulher, estabelecido em lei. Sempre existiram praticantes de várias modalidades de sexo diferente do aprovado por Deus e recomendado pela Bíblia.

Mas no mundo cristianizado foi a revolução sexual da segunda metade do século XX que abriu para eles uma possibilidade jurídica que os ativistas sociais querem impor a qualquer custo: a de que outras uniões sexuais recebam amparo legal e status jurídico igual ao da família formada por um casal (homem e mulher) e sua respectiva prole. É a revanche legal das trevas contra a luz.

Resplandeçamos, pois, como astros no mundo, pois somente mantendo acesa a luz do Evangelho, conjugada a um comportamento moral e ético compatíveis com a altura em que uma lâmpada deve estar para difundir sua luz e dissipar a escuridão, é que venceremos este mundo tenebroso.

A prevalência do direito dos pais sobre o direito dos filhos

O ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente nasceu por conta de abusos de autoridade e de violência cometidos por muitos pais contra seus filhos. Porém, não faz diferença entre abuso de autoridade e autoridade genuína, nem entre violência e correção. Isto mina a autoridade dos pais e prejudica a disciplina, tão necessárias à proteção dos infantes e a formação do caráter deles.

As liberdades da criança e do adolescente são enumeradas no Capítulo II do ECA: Art. 16. “O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; VII - buscar refúgio, auxílio e orientação”.

Estes dispositivos seriam excelentes, se não pudessem ser utilizados para impedir que os pais criem seus filhos para expressarem, por exemplo, o comportamento sexual do sexo em que nasceram, caso eles apresentem qualquer inclinação diferente neste sentido (II);

que escolham a fé e a doutrina religiosa para educarem nelas os filhos (III);

e se não deixassem implícito que existe refúgio, auxílio e orientação iguais ou melhores e mais seguros que os oferecidos pelos pais (VII),

Os estatutos acima vão muito além de proteger: Coloca os filhos em inimizade com os pais; incita os infantes à rebeldia e deixa-os a mercê de pessoas mal intencionadas. Pais cristãos devem ser firmes, cuidadosos e vigilantes na educação e disciplina dos filhos.

Incutir neles caráter e comportamento de filhos de Deus. E, fazê-lo de modo a não dar ocasião ao poder público para tomá-los e entregá-los aos cuidados e proteção de ‘famílias’ inimigas de Deus que irão criá-los nos moldes imorais deste século.

2. A AÇÃO DE SATANÁS NO SURGIMENTO DAS LEIS

Uma das estratégias de Satanás em sua constante luta contra o Reino dos Céus é estimular práticas e comportamentos contrários à lei e a justiça de Deus e provocar a repetição deles nas sociedades humanas e, deste modo, fazer surgir estatutos jurídicos favoráveis às ‘hostes espirituais da maldade’. Por isto precisamos saber:

O que a Bíblia diz sobre as realidades espirituais

Ela declara e demonstra através de narrativas que muitos eventos terrenos são conseqüências de realidades espirituais.

Ex.: O sofrimento de Jó e toda discussão sobre justiça e direito daí resultante são conseqüências materiais de um evento espiritual em que Satanás pretende justificar sua própria rebelião demonstrando que ninguém teme a Deus voluntariamente; acusar o Senhor de corromper o homem para obter dele a adoração e demonstrar que a vida, aos olhos humanos, é um bem caríssimo e que, para salvá-la o homem daria às costas a Deus (Jó 1.9-11; 2.4,5).

O que a Bíblia diz sobre os efeitos espirituais das ações da Igreja

A Igreja é o Corpo de Cristo na Terra e tudo quanto ela faz e decide em O nome de Jesus neste mundo, tem apoio e correspondência no céu (Mt 18.19).

Se a igreja, unida e reunida em o Nome de Jesus declarar sua posição contra qualquer lei ou projeto de lei (Mt 18,19) e, em santidade de vida (Ef 5.2-4) influir na sociedade de modo vigoroso e eficaz (Mt 5.13-16), leis contrárias ao Reino de Deus, se forem elaboradas, não serão aprovadas, se já estiverem em vigor, serão revogadas (Dn 6.7-9, 25,26).

Satanás pode treinar seus súditos para que resistam ao poder do Evangelho, mas Jesus prometeu: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mt 16.18)

3. A MOTIVAÇÃO RELIGIOSA NA FORMAÇÃO DAS LEIS

O Paganismo

É uma antiga religião politeísta (predominantemente matriarcal) dos adoradores da natureza. Possui muitas vertentes. O paganismo prega a existência de deuses e deusas. As divindades femininas (Gaia, Ísis, Cibele, Ártemis, Perséfone, Débora, Diana, Inanna, entre outras) são dominantes.

O Paganismo prega que várias formas de sexualidade co-existem dentro de cada indivíduo e devem ser liberadas para o bem da humanidade. As conseqüências jurídicas desta doutrina estão em projeto de lei em tramitação no Congresso nacional.

A cultura celta, por exemplo, antes de ser influenciada pelo cristianismo adorava divindades masculinas e femininas. Em muitos casos, os deuses não passavam de consortes (maridos ou amantes) da deusa, a grande mãe e, por conta disto havia o predomínio das mulheres em todos os aspectos importantes da sociedade celta.

As cerimônias religiosas eram conduzidas por sacerdotisas, a medicina era praticada pelas bruxas e as decisões importantes eram tomadas pelas videntes e sonhadoras.

O Panteísmo

É o refinamento filosófico do paganismo. A doutrina panteísta afirma que a matéria é Deus e Deus é a matéria; que a toda a matéria evolui para a divindade; que o homem tem em sua inteligência o motor principal para a sua divinização; que por meio da razão o homem conhece sua natureza divina, compreende toda a criação e, através da ciência e da técnica, é capaz de acelerar a evolução e isto faz do homem o redentor de si mesmo.

Que as diferenças essenciais entre os seres, através das quais suas identidades são mantidas, podem e devem ser eliminadas, pois foram ‘socialmente construídas’ e obstruem a manifestação da ‘divindade’ presente neles.

Para os panteístas a crença em um Deus pessoal, Criador e Sustentador do universo e a rígida doutrina de homem e mulher do cristianismo formam a base e a origem principal de todos os males sociais e da infelicidade humana.

Nas religiões panteístas o homossexualismo, o pansexualismo, a poliamoria e a androginia estão presentes e são desejados como sendo o auge da liberdade e da perfeição humanas. A disseminação desta doutrina aparece na introdução, no vocabulário acadêmico e jurídico, dos termos “identidade de gênero” e “opção sexual”.

Como o paganismo e panteísmo se apresentam atualmente?

Através do neo-paganismo, que é a busca de reviver a religião e os modos de vida dos antigos povos pagãos e através de teorias científicas, como a Teoria da Evolução, por exemplo. Eles começaram a recobrar força no Ocidente depois da Segunda Guerra e com o advento dos modernos meios de comunicação.

Desde então eles têm envidado todos os esforços para aprovar leis que lhes sejam favoráveis e, revogar ou alterar estatutos jurídicos que constituem obstáculos à execução do projeto deles: Desconstruir a cultura cristã e reconstruir sobre os escombros dela a cultura pagã.

A natureza amoral dos deuses pagãos permite ao seguidor descartar as limitações morais, e longo prazo, adotar uma reflexão livre de valores, enfocada não em melhoria moral, mas na melhoria das qualidades intelectual, psicológica, biológica, bem como na busca do prazer como forma de religiosidade.

Por isto, neste exato momento nosso Poder Legislativo sofre forte pressão para legalizar a união sexual entre pessoas do mesmo sexo e dar a ela e a várias outras formas de ajuntamento sexual o mesmo status e proteção jurídica de que goza o casamento entre um homem e uma mulher.

4. COMO O NEO-PAGANISMO INFLUI NA APROVAÇÃO DAS LEIS

Através da manipulação dos movimentos sociais de minorias

A maioria das pessoas que participam desses movimentos não tem sequer uma vaga idéia de que estão sendo usados para engordar as estatísticas em favor do neo-paganismo.

Algumas vezes, nem mesmo os governantes e legisladores têm consciência da manipulação. Foi a prática de forçar as estatísticas para cima e de criar leis para prejudicar o povo de Deus que levou Daniel à cova dos leões (Dn 6.3,6, 7).

Através dos meios de comunicação de massa

De forma sutil e bem articulada, aqueles meios de comunicação que estão a serviço do neo-paganismo apresentam práticas estranhas à moralidade como se fossem comuns à sociedade.

Diante da reação horrorizada do público, convidam respeitáveis especialistas para falar sobre a tal prática; suscitam e organizam debates; expõem aquela prática em todos os tipos de programação: novelas, filmes, programas de auditório, humorísticos, mini-séries, jornalismo, etc.

A repetição constante do tema modifica o comportamento social e influi na opinião, até mesmo de pessoas sinceras e tementes a Deus. Vigiemos!

Através do Estado

Para conseguir apoio e financiamento do Poder Público, o neo-paganismo mantém e/ou controla organizações não governamentais de apoio às minorias e aos mais fracos e de preservação ambiental; camufla sua motivação religiosa e suas investidas contra o cristianismo (pois o Estado Laico não pode dar apoio a uma religião em detrimento de outra) e , através de ONGs, angaria apoio e financiamento estatal, com os quais promove o doutrinamento da sociedade nas práticas pagãs e tenta calar a voz da Igreja do Senhor por meio de sutilezas jurídicas.

As demandas dos grupos sociais quase sempre são legítimas. É exatamente esta legitimidade que dá a quem as abraça e defende tanta força política. Que governo ousará negar recursos públicos a uma organização não governamental de amparo a meninos de rua sob a alegação de que a tal entidade os educará em práticas pagãs?

Nenhum. O que falará mais alto será o direito legítimo daquelas crianças de terem teto, comida, carinho e educação. Os recursos serão liberados para quem se dispuser a fazer isto e preencher todas as exigências legais.

CONCLUSÃO

Vida santa, vigilância continua, discernimento espiritual, trabalho incansável de evangelização, doutrinamento bíblico e constante oração, conjugados a ação social da igreja são importantes meios de prevenir a corrupção social e o conseqüente surgimento de leis contrárias a que venha o Reino de Deus.

Fontes: Bíblia Sagrada – Concordância, Dicionário

Revista Cidadania Cristã – Editora Betel - 3º Trimestre 2009 – Lição 09

Novo Aurélio – Dicionário da Língua Português, Século XXI – 3ª. Impressão – Ed. Nova Fronteira

DEUS ABENÇOE A SUA FAMÍLIA!!!

LIÇÃO 8 – 23 DE AGOSTO DE 2009 “A JUSTIÇA NO LIVRO DE JÓ”

Representação de Jó e seus três amigos
Queridos irmãos, A Paz do Senhor!

Estamos na OITAVA lição da revista CIDADANIA CRISTÃ - terceiro trimestre de 2009.

Nosso comentarista é o Pastor Dr. Abner de Cássio Ferreira. O tema da semana é:

A JUSTIÇA NO LIVRO DE JÓ

Ministrada pelo professor Cláudio Marcílio

Sejam todos muito bem vindos!



TEXTO ÁUREO


“Porventura perverteria Deus o direito, E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?” Jó 8.3.


VERDADE APLICADA


A organização da Justiça nos dias atuais não é uma invenção do homem moderno, mas uma prática dos filhos de Deus desde a antiguidade.


OBJETIVOS DA LIÇÃO


1) Conduzir os alunos a uma abordagem do livro de Jó focada na justiça e no direito.

2) Ampliar o conhecimento jurídico dos alunos e leitores, através da contextualização do Livro de Jó.

3) Mostrar, pelo exemplo de Jó, que Deus espera de seus filhos que clamem incansavelmente por justiça.


INTRODUÇÃO

O livro de Jó tem sido visto como uma provisão literária divina para consolar e confortar àqueles que sofrem imerecidamente. Entretanto, podemos ir além e vê-lo como um debate (antigo) sobre a justiça e o direito. O sofrimento ‘injustificável’ de Jó foi o motivo da discussão sobre assunto tão pujante. (Que tem grande força, possante)


1. JÓ ANSEIA PELA JUSTIÇA DE DEUS


No drama vivido por Jó e na discussão sobre justiça e direito que por causa dele se desenvolveu, Deus é O Juiz; Jó é a vítima e ao mesmo tempo o réu, e seus amigos são os promotores.


Para Elifaz, as tribulações desta vida podem ser:

  • Primeiro, meras casualidades, que podem ser sofridas por justos e injustos (5.7);
  • Segundo, justas retribuições ao comportamento humano (5.2-5);
  • Terceiro, medidas justas e disciplinares de Deus para remover a iniqüidade dos aspirantes à justiça (5.17).

Como promotores de justiça, que procuram demonstrar a culpabilidade da vítima, os amigos de Jó apresentam supostas razões pelas quais ele estaria sofrendo (4.17; 8.4; 11.3,6, 14). Jó insiste que foi Deus que o atingiu (6.4) e com algum propósito justificável (7.20,21; 10.3).

Jó alega inocência (6.28-30). Escolhe advogar a própria causa, dispensa os mediadores (13.7,8) e apresenta sua defesa diretamente ao Juiz (13.3).

Jó, assim como Bildade, reconhece a equidade dos procedimentos de Deus (8.3,20; 9.2). Sabe que mesmo o homem justo não tem condições de se justificar diante dEle (9.15,32).

Jó acha que a justiça de Deus é incompreensível ao homem e deseja entender quais são os propósitos de Deus para o seu sofrer.

Jó quer saber como funciona a justiça de Deus (9.24, 29; 10.4-8.12, 13) para se dirigir a Ele com temor, mas sem pavor (9.34,35).

As alegações de inocência que Jó apresenta aos ‘promotores’, não indicam que ele veja iniqüidade no Juiz, mas que ele reconheça que o Senhor é poderosíssimo, totalmente santo e justo (9.19).

Jó quer saber se um ser como ele, corruptível e mortal, pode se apresentar ao Juiz com segurança (9.34,35).


2. JÓ QUER UM JULGAMENTO JUSTO


Jó era conhecido como “homem íntegro, reto e temente a Deus e que se desviava do mal”, até ao dia em que uma seqüência de males abateram-se sobre a sua vida e sobre toda a sua família.

O prolongamento do “dia mal” afastou as demonstrações de solidariedade e deu lugar a sessões exaustivas de julgamentos por parte de seus amigos. Jó reclama o que, no seu tempo, consistia num julgamento justo:

Depois de todas aquelas tragédias o nome de Jó, para o povo do seu tempo, passou a ser sinônimo de pecado, injustiça e perversidade. Uma abominação (Jó 17.6).

Quantas pessoas ao atravessarem momentos de grandes adversidades são como Jó, injustamente acusadas de impiedade e execradas (Abominadas) perante a opinião pública.

Algumas, ao verem malogrados (Inutilizados) os bons propósitos que tinham e frustradas todas as suas aspirações, nunca conseguem superar as mágoas, levantar a cabeça e começar de novo. Que Deus nos guarde de nos tornarmos juízes sobre as desgraças que se abaterem sobre nossos irmãos.

Que Ele nos conceda um coração compassivo e misericordioso, mesmo para com àqueles que tiverem abandonado o temor de Deus (Jó 6.14). Lembremo-nos: A vara e o cajado pertencem ao pastor e não às suas ovelhas.

Os amigos de Jó, que agora são promotores, afirmam que Jó está colhendo aquilo que plantou (15.6,24, 25). Jó rebate pedindo que o façam saber qual é o seu erro (6.24), que listem a suas culpas e pecados (13.23) e, que o notifiquem das suas transgressões. Estes clamores e exigências de Jó por justiça são, hoje, direitos do acusado garantidos por lei (CF Art. 10).

Veja o que diz a Constituição Federal a este respeito: Artigo 10. Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

As acusações contra Jó eram generalizadas, inconsistentes e baseadas somente nas desgraças que, de repente, se lhe abateram. Pede então que investiguem seu passado (31.5-40) e, se acharem qualquer indício de impiedade (4.6), de iniqüidade (11.6; 22.23) e de corrupção (15.16) ele suportará as penalidades sem apelar.

Atualmente, para inocentar ou fixar a pena, o juiz tem que levar em conta os antecedentes do réu. (CP Art. 59). Os amigos de Jó se encarregaram de acusá-lo.

Afirmaram que Jó não tinha direito de apregoar (Anunciar) sua dor (6.2-8.2,3), de alegar inocência (4.7) e nem de fazer alarde (Ostentação apregoada com o fim de intimidar) de sua integridade diante do juízo divino (31.6-34.5-7).

Jó acreditava que possuía direito a todas estas coisas e de ser julgado pelo único tribunal competente para julgar a sua causa, que ele conhecia. (16.1-3,20). O Tribunal de Deus (Jó 13.3; 23.3).

Nos sistemas judiciários atuais as sentenças só têm valor se forem julgadas por um tribunal competente. Ex.: O Tribunal do Júri é competente para julgar os crimes de homicídio cometidos por civis.

Uma sentença proferida por um Juiz do Tribunal do Júri em que o réu for um militar, salvo exceções, será nula. A causa de Jó não era de natureza jurídica material, mas espiritual, por isto seus amigos não tinham competência para julgá-lo.

O tribunal de Deus transcende aos tribunais humanos e o que se assenta sobre ele para julgar é apto para discernir os pensamentos e intenções dos corações (13,10; 31.4; Hb 4.12). Suas decisões são justas porque são pesadas nas balanças fiéis do imensurável conhecimento do Juiz (31.16).


3. COMO A JUSTIÇA ERA ENTENDIDA NO TEMPO DE JÓ


Embora tenha sido reduzida à escrita possivelmente por Moisés, à história descrita no Livro de Jó remonta uma época bem anterior. É provável que Jó tenha vivido nos tempos patriarcais e muito antes da chamada de Abrão. A noção de Justiça ali descrita é tão refinada que parece apontar para uma época em que o pecado ainda não havia contaminado demasiadamente a humanidade.

O livro de Jó se reveste de grande importância jurídica, pois está entre as raríssimas literaturas que descrevem o modo como à justiça era entendida e praticada em épocas tão remotas.

Além disto, o fato do autor do livro entender a aplicação da lei e a distribuição da justiça como prerrogativas divinas, exalta e expõe ainda mais o caráter, santo e justo, de Deus e remete a Ele a origem de toda lei verdadeiramente justa (Tg 1.17).

Jó cria que Deus, o Todo-Poderoso, que criara os homens e dava a eles toda a sorte de bens, era o criador da justiça e distribuidor do direito.

Jó não entendia a saúde, a abundância de bens, a fecundidade e a unidade familiar como recompensas ao comportamento justo do homem e sim como atos da generosidade e da imparcialidade de Deus (1.21).

Jó defendia que seria justo que os homens imitassem a Deus no trato com os aflitos (6.14) e demonstrassem compaixão àqueles que, porventura, estivessem debaixo de julgamento divino.

A maioria deles partilhava com Jó a noção de que Deus origina e detém a Justiça, mas ao contrário dele, acreditavam que só os ímpios passavam por adversidades (Capítulo 20) e que, bens materiais e morais, vigor físico e segurança eram recompensas divinas ao bom comportamento humano (11.14-19; 36.7). Por isso, acusavam Jó de impiedade (35.8).

Eliú, representando a juventude, entendia que a justiça de Deus era tão majestosa (34.10) que homem nenhum seria capaz de satisfazê-la.

Ele defende que somente se surgir um “resgatador” a altura da justiça de Deus, com um resgate satisfatório, o homem alcançará a misericórdia do Supremo Juiz (33.23,24), por isso, Jó teve que calar sua justiça e confessar sua impiedade.


4. OS JULGAMENTOS NO TEMPO DE JÓ


O Livro de Jó mostra-nos que a organização da Justiça nos dias atuais não é uma invenção do homem moderno, mas uma prática dos filhos de Deus desde a mais remota antiguidade.

“Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao Seu Tribunal” (23.3).

O anelo de Jó pelo tribunal de Deus indica que em seu tempo, como hoje, havia tribunais onde as causas do povo eram julgadas, a justiça era distribuída e que havia relação de competência e hierarquia entre os tribunais. “Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos” (9.33).

Esta declaração de Jó mostra que os conciliadores e as juntas de conciliação tão comuns hoje, para se estabelecer o direito e a justiça e dirimir as contendas, estavam presentes nas comunidades que guardavam o temor de Deus.

Embora toda a discussão desenvolvida no Livro de Jó seja de natureza teológica, a argumentação de Jó e de seus amigos sobre a justiça divina e o direito do homem apresenta vários elementos de um processo judicial secular e contemporâneo:

  • Acusação (33-37),
  • interrogatório (38.3-39.30),
  • defesa (40.3-5; 42.1-6),
  • sentença pronunciada pelo juiz (42.7-10) e
  • publicidade (42.11).


PALAVRA FINAL

O profundo sofrimento motivado pelos trágicos eventos que se abateram sobre a vida do homem de e o modo como o Supremo Juiz atendeu ao clamor de Jó por justiça, reforçam nossa confiança no Senhor, Justiça Nossa (Jr 23.6), além de suprir os estudiosos da Bíblia de conhecimento jurídico inigualável.



Revista Cidadania Cristã – Editora Betel - 3º Trimestre 2009 – Lição 08

www.editorabetel.com.br

Programa de incentivo à leitura - Lição 8 - A justiça no livro de Jó

Baixe aqui o programa de incentivo à leitura da lição 8:

http://www.editorabetel.com.br/auxilio/jovenseadultos/pil/3tri/PIL08.doc

Responda a todas as questões, sua participação é muito importante.
Qualquer dúvida fale conosco: ebd.adm@gmail.com

Vamos agora exercitar nossa memória?

Você se lembra quais foram o livro, capítulo e versículo pregados no
último culto em que você participou?

Vamos forçar um pouco mais? Qual foi o tema da última lição da nossa
escola bíblica dominical? (Não vale olhar na revista...hehehe)

Se você se lembra. PARABÉNS!!! Saiba que você faz parte de um grupo seleto
de cristãos.

Boa parte das pessoas não consegue se lembrar. E isso é um mal sinal, pois
a palavra de Deus só vai produzir algum fruto em nossas vidas, se a
escondermos em nosso coração, conforme o que disse o salmista no Salmo
119:11.

A palavra que recebemos deve ser pensada, repensada...e utilizando uma
analogia, ela deve ser "ruminada"; e principalmente APLICADA em nosso
viver diário.

Mas como aplicar algo de que nós nem nos lembramos?

Não espere que Deus vai usar um pregador famoso, ou um profeta "muito
ungido" para que você receba a Palavra. Aproveite a oportunidade que você
tem hoje de estar presente na escola bíblica dominical e nos cultos de
ensino sistemático da bíblia.

Muitos tem errado por falta de conhecimento bíblico, e infelizmente não
são novos convertidos e sim crentes que já servem para ser vovôs e vovós
espirituais.

Pense nisto. Leia a revista da EBD juntamente com a bíblia, anote suas
dúvidas, pesquise, compartilhe, enfim: "Buscai ao Senhor enquanto se pode
achar."

Que Deus te abençoe e bons estudos!!!